Covid-19 e a segurança dos consultórios odontológicos

Covid-19
Marco Bianchini acredita que os cirurgiões-dentistas têm muito a ensinar e contribuir com a prevenção da transmissão da Covid-19.

No último dia 8 de julho, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) emitiu uma nota em seu website atestando que os cirurgiões-dentistas são os profissionais menos contaminados pela Covid-19. Na nota, o CFO informou que cirurgiões-dentistas, auxiliares e técnicos em saúde bucal representam o menor índice de contaminados entre os profissionais de saúde que estão na linha de frente contra o coronavírus. O número de profissionais da Odontologia infectados também está abaixo da média nacional da população.

O relatório nacional foi concedido pelo Ministério da Saúde, a pedido do CFO, para acompanhamento da evolução dos casos de contaminados com o vírus entre os profissionais da Odontologia. Do número total de pessoas infectadas até o dia 8 de julho no Brasil, 0,17% eram cirurgiões-dentistas, o que representava 2.737 profissionais contaminados, do total nacional de 1.603.055 pessoas infectadas na ocasião. No caso de profissionais auxiliares e técnicos em saúde bucal, o número era ainda menor, 0,12% de contaminados, do quantitativo de contaminados no Brasil – apenas 1.852 profissionais diagnosticados com Covid-19. De acordo com o Ministério da Saúde, dos 169 óbitos de profissionais de saúde registrados entre os meses de março a junho, no Brasil, cinco eram cirurgiões-dentistas.

O CFO atribui estes números à suspensão, já em março de 2020, do atendimento eletivo na rede pública de saúde e ao fortalecimento no rigor da biossegurança em procedimentos odontológicos de urgência/emergência e, posteriormente, em qualquer procedimento eletivo, quando estes foram liberados. A atuação conjunta do CFO e do Ministério da Saúde, no que diz respeito à Odontologia, preconizando normas de biossegurança, com base em produções científicas dos avanços no conhecimento da Covid-19, parece ter sido de fundamental importância. Além disso, o esclarecimento de dúvidas relatadas por cirurgiões-dentistas neste novo cenário, com a retomada gradativa do atendimento eletivo nos estados, também contribuiu para que a taxa de dentistas e técnicos contaminados fosse baixa.

Segundo o presidente do CFO, Juliano do Vale, as medidas adotadas desde o início da pandemia até a presente evolução da doença refletem no baixo contágio à categoria e, consequentemente, aos pacientes nesse período. “A estatística do Ministério da Saúde revela a capacidade e o preparo do cirurgião-dentista com a biossegurança. A Odontologia brasileira está dando exemplo de como continuar os atendimentos e proteger a população, ainda que em tempos de pandemia”, completou o presidente.

Eu, particularmente, acredito que estes números refletem um pouco mais do que a ação do CFO, que também foi bastante importante. Basta olharmos para o passado e ver há quantas décadas nós, dentistas, já nos preocupamos com a biossegurança. A razão desta preocupação e dos cuidados que utilizamos rotineiramente em nossos consultórios é que nós estamos, frequentemente, muito expostos a contaminações e, por isso, temos que nos prevenir severamente. Caso contrário, estaríamos muito vulneráveis a diversos tipos de contaminações, especialmente de vírus e bactérias.

Nós, cirurgiões-dentistas, já atravessamos muitas pandemias ou epidemias sem fechar nossas clínicas. Tuberculose, HIV, hepatite C, gripe A, dentre tantas outras, já assolaram nossos consultórios e tivemos que continuar atendendo. Assim, máscaras, óculos e gorros sempre fizeram parte da nossa rotina de atendimento. Da mesma forma, faz parte do dia a dia de um cirurgião-dentista a desinfecção dos ambientes clínicos, salas de espera e demais dependências que constituem uma clínica ou consultório odontológico. Frascos de álcool em spray ou gel estiveram sempre presentes em nossos ambientes.

Acredito que os cirurgiões-dentistas têm muito a ensinar e contribuir para a prevenção da transmissão da Covid-19, especialmente pela necessidade de estarmos muito próximos de nossos pacientes para realizar os atendimentos. Esta proximidade fez com que nos adaptássemos a maiores proteções, a fim de evitar qualquer contágio. Desta forma, a maioria dos cuidados recomendados pelas autoridades de saúde, como enxaguantes bucais usados para bochechos prévios nos pacientes, já era executada por vários profissionais da Odontologia, bem antes desta pandemia.

Enquanto todos nós continuamos nesta luta ferrenha contra o coronavírus, cabe aos demais profissionais de saúde adotarem as mesmas medidas que os cirurgiões-dentistas já utilizam há décadas. Estas medidas devem ser adotadas em seus ambientes de trabalho, de uma maneira permanente e não somente em épocas de pandemias. Estes procedimentos preventivos certamente evitarão a propagação, não só da Covid-19, mas também de várias outras doenças infectocontagiosas.

“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” (Mateus 6:19-21)

Marco BianchiniMarco Bianchini
Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros “O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia” e “Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares”.
Contato: bian07@yahoo.com.br | Facebook: bianchiniodontologia | Instagram: @bianchini_odontologia

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