Quando usar técnicas regenerativas em Periodontia?

Técnicas regenerativas
Técnicas regenerativas: Marco Bianchini mostra que a regeneração periodontal pode ser eficaz no tratamento de defeitos intraósseos.

É denominada regeneração tecidual guiada (RTG) a técnica que visa reconstruir os tecidos do periodonto de sustentação perdidos por doença periodontal (cemento radicular, osso alveolar e ligamento periodontal), por meio da utilização de barreiras físicas associadas ou não a materiais de preenchimento. Os primeiros relatos de regeneração tecidual guiada de tecidos como procedimento cirúrgico periodontal clínico apareceram no início da década de 19801-2.

Os procedimentos regenerativos incluem uma sucessão de técnicas que, combinadas ou não, podem levar à regeneração dos tecidos periodontais que foram perdidos. A aplicação de agentes químicos sobre a superfície radicular após a raspagem mecânica, o uso de membranas ou barreiras físicas, enxertos ósseos autógenos, materiais de enxerto de substituição óssea e materiais regenerativos ativos biologicamente, além da combinação de alguns dos materiais acima mencionados, pode levar ao sucesso destes procedimentos.

A lógica por trás dessa terapia é obter a regeneração completa das estruturas de suporte dentário, isto é, novo cemento, novo ligamento periodontal e novo osso alveolar. Este tipo de cicatrização é bem diferente das cirurgias periodontais convencionais, que alcançam a cura por reparo e não por regeneração, em que os tecidos que irão se formar após o procedimento cirúrgico não são necessariamente os mesmos que existiam previamente à doença.

Este reparo funciona como uma “cicatriz”, que faz com que a saúde seja restabelecida através da adaptação de tecidos considerados mais frágeis do que os originais. As Figuras 1 a 6 ilustram um caso de regeneração tecidual guiada feita no Cepid – Centro de Ensino e Pesquisas em Implantes Dentários da Universidade Federal de Santa Catarina.

A literatura mostra1-4 que a regeneração periodontal pode ser eficaz no tratamento de defeitos intraósseos de uma, duas e três paredes, ou na combinação dos mesmos. Além disso, esta eficácia pode atingir desde os defeitos muito profundos até os muito rasos, ou de muito largos a muito estreitos. No entanto, as abordagens usadas são extremamente sensíveis à técnica, o que acaba gerando uma quantidade significativa de falhas clínicas ou um sucesso incompleto, o que questiona a real aplicabilidade da técnica.

Sabe-se que a maioria das falhas da terapia regenerativa tem uma explicação relacionada com as limitações individuais do paciente (dificuldade de controle de placa e doenças sitêmicas, que ocasionam recidivas), uso inadequado dos materiais cirúrgicos e biomateriais, além da habilidade e experiência clínica insuficientes do cirurgião-dentista. Assim, torna-se necessário o controle de muitas variáveis para que uma técnica regenerativa alcance os resultados desejados.

A eficácia clínica dos procedimentos regenerativos tem sido extensivamente avaliada em ensaios clínicos controlados, que compararam os procedimentos regenerativos com uma abordagem padrão de retalho de acesso para raspagem (a campo aberto). Nesta comparação, os procedimentos regenerativos têm sempre um melhor resultado do que a raspagem a campo aberto.

O grande problema é que a maioria destes estudos utilizou como resultados as alterações clínicas no nível de inserção, diminuição das profundidades de bolsa, fechamento de furca e medidas radiográficas, em vez de alterações reais na sobrevivência dos dentes.

Quando os resultados se baseiam na sobrevivência dos dentes no longo prazo, as diferenças entre a raspagem a campo aberto e as técnicas regenerativas parecem não ser tão grandes. E é exatamente por isso que muitos profissionais acabam por preferir a exodontia e a colocação de um implante do que realizar procedimentos regenerativos.

Desta forma, o sucesso clínico de uma técnica regenerativa requer a aplicação de estratégias meticulosas para saber indicar corretamente quais os casos que merecem ser tratados através de procedimentos regenerativos. Uma vez dominadas as indicações, um treinamento cirúrgico deve ser realizado, a fim de adquirir habilidades próprias para a realização correta da técnica e o conhecimento dos materiais e biomateriais que podem ser utilizados em uma terapia regenerativa. Seguindo este protocolo, o profissional certamente irá se sentir mais seguro em realizar esta técnica em vez de condenar todos os dentes.

Referências:

  1. Nyman S, Lindhe J, Karring T, Rylander H. New attachment following surgical treatment of human periodontal disease. J Clin Periodontol 1982:9:290-6.
  2. Gottlow J, Nyman S, Karring T, Lindhe J. New attachment formation as the result of controlled tissue regeneration. J Clin Periodontol 1984:11:494-503.
  3. Needleman I, Tucker R, Giedrys-Leeper E, Worthington H. Guided tissue regeneration for periodontal intrabony defects – a Cochrane systematic review. Periodontology 2000 2005;37:106-23.
  4. Kwok V, Caton J. Prognosis revisited: a system for assigning periodontal prognosis. J Periodontol 2007:78:2063-71.

“Jesus disse-lhe: qualquer um que beber desta água tornará a ter sede; Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede, porque a água que Eu lhe der será para ele uma fonte de água viva que jorra para a vida eterna.” (João 4, 13-14)

Marco BianchiniMarco Bianchini
Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros “O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia” e “Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares”.
Contato: bian07@yahoo.com.br | Facebook: bianchiniodontologia | Instagram: @bianchini_odontologia

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