Quem cuida do peri-implante?

Peri-implante
Peri-implante: Marco Bianchini debate publicação da Professora Cristina Miura, que aborda a prevenção de problemas peri-implantares.

Está aí um assunto que eu já devo ter falado mais de um milhão de vezes aqui neste espaço, talvez porque seja mesmo a única coisa que eu sei falar. Brincadeiras à parte, na verdade, quando eu me sento pra escrever novamente sobre peri-implantite, acabo pensando que eu vou ser repetitivo. Felizmente, nossos amigos nas redes sociais nos ajudam a sermos mais criativos e a aprender mais um pouco sobre as alterações peri-implantares e as maneiras que temos de prevenir estes problemas. Foi exatamente isto que me aconteceu nesta semana, quando encontrei no Instagram uma repostagem do meu amigo professor Jamil Shibli (@jamilshibli), citando a professora Cristina Miura (@perio_diaria). Achei muito interessante a maneira como foi abordada a prevenção de problemas peri-implantares, a começar pelo uso do termo: peri-implante e não peri-implantite. É uma visão interessante, que eu trouxe aqui para, mais uma vez, discutirmos este assunto.

A Cristina Miura cita um artigo de revisão da literatura (Prevalence of peri-implant diseases – a critical review on the current evidence. Cosgarea R, Sculean A, Shibli JA, Salvi GE. Braz Oral Res 2019;33(suppl.1):e063. DOI: 10.1590/1807-3107bor-2019.vol33.0063). Os autores concluíram que é possível encontrar na literatura uma ampla variedade de estudos que tentam reportar a prevalência da peri-implantite. Contudo, ainda não é possível fazer com precisão uma estimativa da carga global desta doença. Nesta revisão, é possível encontrar estudos em que os números oscilam bastante. Porém, quase todos mostram níveis acima de 20% de problemas peri-implantares. Se levarmos em consideração apenas os protocolos inferiores, esta revisão mostrou um artigo em que, após dez anos de uso deste tipo de prótese implantossuportada, os pacientes podem apresentar 57% de alterações peri-implantares. Na minha visão, é um número assustador! Cristina Miura, então, faz uma análise bem interessante sobre o que fazer para prevenir esta bomba-relógio que temos em nossas mãos. Ela começa com uma pergunta:

“Quem cuida do peri-implante? Quem fez a cirurgia e a prótese estavam ocupados demais em casos complexos para pensarem em prevenção. Talvez, até tenham mencionado a importância do retorno, mas não com muita veemência. Os periodontistas talvez fossem os mais preparados, desde que tivessem alguma informação sobre implantes. Mas, nem sempre as indicações acabam chegando. Há uma dificuldade no caminho do paciente até outro especialista hoje em dia. Os clínicos não tiveram preparo para acompanhar o peri-implante. Ou não sabiam. Minhas sugestões:

#1: cirurgiões, implantodontistas e protesistas que não gostam de mexer com prevenção: ao menos coloquem alguém na equipe para fazer suas manutenções! Façam uma PARCERIA com um periodontista ou alguém que saiba e goste de fazer prevenção ou ampliem a equipe para que alguém a faça. É muito bom financeiramente para a clínica, e maravilhosamente bom para o paciente.

#2: clínicos: esta é a oportunidade do futuro! Trabalho do bem. Prevenção! Custo baixo, lucro alto. Paciente feliz! Desde que faladas as coisas certas na hora certa, do jeito certo.”

Não é de hoje que os cirurgiões-dentistas falam em prevenção. A maioria de nós chama os pacientes regularmente para que façam as suas manutenções periodontais, profilaxias, limpezas, aplicações de flúor etc. Nós podemos denominar estas chamadas periódicas de qualquer coisa, o que importa é que o paciente volte regularmente em nossos consultórios e mantenha a sua saúde bucal em dia. Trata-se de um serviço essencial que prestamos aos nossos pacientes e também uma remuneração saudável que ganhamos no nosso dia a dia de dentistas. Contudo, quando o assunto é implante, a nossa responsabilidade aumenta bastante.

Por mais que os implantodontistas, cirurgiões e protesistas saibam da existência da peri-implantite e da mucosite, a maioria deles ainda não dá a importância devida a este problema. Somente após vivenciarem a experiência de ter um caso seu acometido por estas doenças peri-implantares – e ter a sensação de que o céu está caindo sobre as suas cabeças – é que muitos começam a estabelecer protocolos de manutenções preventivas.

O cirurgião-dentista que realizará as manutenções periódicas peri-implantares deve ser muito bem treinado, pois é preciso ter muito conhecimento para entender bem, como e por que as alterações peri-implantares ocorrem. Na minha clínica privada, onde eu faço praticamente todas as cirurgias de colocação de implantes, também sou eu quem faz as manutenções. O que parece ser um procedimento fácil, como limpezas de próteses e implantes, exige uma responsabilidade muito grande, prevenindo a perda de reabilitações extensas que tiveram um alto custo, tanto para nós quanto para os pacientes.

“Então o rei Dario escreveu a todos os povos, nações e línguas que moram em toda a terra: a paz vos seja multiplicada. Da minha parte é feito um decreto, pelo qual em todo o domínio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel, porque Ele é o Deus vivo e que permanece para sempre, e o seu reino não se pode destruir, e o seu domínio durará até o fim. Ele salva, livra e opera sinais e maravilhas no céu e na terra, Ele salvou e livrou Daniel do poder dos leões.” (Daniel 6:25-27)

Marco BianchiniMarco Bianchini
Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros “O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia” e “Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares”.
Contato: bian07@yahoo.com.br | Facebook: bianchiniodontologia | Instagram: @bianchini_odontologia

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