Adesão dos pacientes aos programas de manutenção

programas de manutenção
A manutenção de pacientes com implantes é fundamental na prevenção de doenças orais. (Imagem: Depositphotos)
Terapias de suporte: mesmo com as evidências, apenas uma minoria segue as recomendações profissionais e adere aos programas de manutenção.

A manutenção dos pacientes periodontais e daqueles tratados com implantes osseointegrados é conhecida como terapia de suporte. Entretanto, o nome mais comum que usamos para este tipo de tratamento é o de manutenção. Tão importante quanto as abordagens cirúrgicas ou não cirúrgicas em Periodontia e Implantodontia é a realização adequada de uma manutenção de suporte. Este conceito pode ser perfeitamente estendido para os casos tratados com implantes. Contudo, nem sempre nossos pacientes são fiéis aos programas de manutenção que são estabelecidos.

A terapia periodontal e peri-implantar de suporte tem como objetivo a manutenção da homeostasia (equilíbrio) dos tecidos periodontais e peri-implantares, alcançada com o tratamento que já foi realizado anteriormente. Além disso, ela também está ligada à prevenção da recorrência e progressão das doenças relacionadas aos tecidos moles e duros, que recobrem dentes e implantes. A manutenção propriamente dita se inicia imediatamente após a conclusão da terapia preliminar, quando o risco individual do paciente é avaliado e determinado o intervalo necessário entre as consultas de manutenção.

A literatura é clara quanto à diferença no prognóstico dos pacientes que seguem um programa de manutenção com regularidade, em relação àqueles que não aderem a terapia de suporte. Os que não colaboram com a terapia são considerados pacientes de alto risco para a progressão das doenças periodontal e peri-implantar. Já os que cumprem o que foi proposto pela terapia de suporte são capazes de apresentar baixas taxas de perdas de dentes e implantes. Mesmo com todas estas evidências, já foi demonstrado que a adesão dos pacientes é geralmente insuficiente e apenas uma minoria segue a terapia e as recomendações dos profissionais.

Uma maneira de tentar minimizar a ausência dos pacientes nas consultas de manutenção é estabelecer programas de visitas que sejam fáceis de se cumprir por parte dos pacientes. De nada adianta impor medidas impossíveis de serem realizadas pelos pacientes. Técnicas de motivação e reforço da importância da fase de manutenção no tratamento periodontal e peri-implantar devem ser adotadas pelo profissional. O paciente deve estar ciente de que é parte integrante do tratamento e que o sucesso do mesmo está intimamente relacionado com o comprometimento no programa de manutenção.

Vários métodos para determinar o intervalo ideal das consultas de manutenção têm sido pesquisados. A literatura demonstra que as visitas de cuidados periodontais de suporte podem ser agendadas em intervalos de três a, no máximo, 12 meses, dependendo de cada caso. Embora a maioria dos clínicos ainda utilize as manutenções semestrais como padrão, o intervalo de três meses vem sendo apresentado na literatura atual como o mais eficaz para evitar a progressão das doenças periodontais e peri-implantares. Contudo, esta frequência pode ser diminuída ou aumentada com base na avaliação dos achados clínicos e do estado da doença apresentados por cada paciente.

A definição do intervalo ideal de três meses é baseada no tempo necessário para o repovoamento bacteriano do ambiente subgengival após a remoção da placa e fatores de retenção. Pôde-se observar em vários estudos que, para a maioria dos pacientes com histórico de doença periodontal, as consultas com intervalos de três meses têm sido efetivas em manter a estabilidade da saúde gengival e garantir sucesso ao tratamento.

O sucesso do tratamento de suporte depende do esforço conjunto do paciente e do profissional. Desta forma, a regularidade das consultas de manutenção torna-se um fator crítico para o sucesso no controle da doença. Negligenciar esta etapa tem associação a maiores riscos de recorrência e progressão das doenças periodontais e peri-implantares. Deve-se avaliar o padrão de higiene oral do paciente, a condição clínica e estabelecer uma frequência de consultas adequadas a cada caso.

Como falamos antes, um dos maiores problemas citados na literatura é a dificuldade em manter a regularidade de visitas ao consultório dos pacientes periodontais e com problemas peri-implantares. Sem essa regularidade de consultas, onde são feitas reavaliações, controle de biofilme e instruções de higiene, os benefícios da terapia periodontal e peri-implantar de suporte não se mantêm no longo prazo e a recorrência das doenças será inevitável, com perdas de dentes e implantes.

Referências

  1. Sanz M, Herrera D, Kebschull M, Chapple I, Jepsen S, Beglundh T et al. EFP Workshop Participants and Methodological Consultants. Treatment of stage I-III periodontitis – the EFP S3 level clinical practice guideline. J Clin Periodontol 2020;47(suppl.22):4-60.
  2. Ramseier CA, Nydegger M, Walter C, Fischer G, Sculean A, Lang NP et al. Time between recall visits and residual probing depths predict long-term stability in patients enrolled in supportive periodontal therapy. J Clin Periodontol 2019;46(2):218-30.
  3. Trombelli L, Farina R, Pollard A, Claydon N, Franceschetti G, Khan I et al. Efficacy of alternative or additional methods to professional mechanical plaque removal during supportive periodontal therapy. A systematic review and meta-analysis. J Clin Periodontol 2020;47(suppl.22):144-54.

“Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? Este é aquele que veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo. Ele não veio somente com a água, mas com a água e com o sangue. E o Espírito é o que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade.”

(1 João 5:4-6)

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