Cirurgias minimamente invasivas

cirurgias minimamente invasivas
O uso da tecnologia é um caminho sem volta na Odontologia. (Imagem: Shutterstock)
Com técnicas menos traumáticas e menos invasivas, as cirurgias minimamente invasivas têm se tornado populares na Odontologia.

Depois das “cirurgias plásticas periodontais e peri-implantares”, as cirurgias minimamente invasivas são a nova ordem na Odontologia. As mais diversas especialidades cirúrgicas odontológicas vêm utilizando esta terminologia como forma de evidenciar técnicas menos traumáticas, menos invasivas e que tragam resultados tão bom ou melhores do que os das técnicas convencionais. Muitas vezes, uma cirurgia plástica periodontal e peri-implantar acaba sendo também uma cirurgia minimamente invasiva. Porém, a pergunta que fica é: a partir de qual momento uma cirurgia pode ser considerada minimamente invasiva?

A tecnologia digital, associada a equipamentos específicos, aperfeiçoou as cirurgias consideradas minimamente invasivas. O uso auxiliar de um microscópio cirúrgico e o escanemento digital intraoral, certamente, estão ligados a benefícios clínicos adicionais no tratamento de dentes com problemas periodontais e peri-implantares. O planejamento virtual e a utilização de um microscópio cirúrgico específico para procedimentos relacionados com os tecidos periodontais e peri-implantares oferecem vantagens, como: aumento da acuidade visual, melhor iluminação do campo e manipulação mais precisa e atraumática dos tecidos moles.

O escanemaneto intraoral, o microscópio, os instrumentos microcirúrgicos e um material de sutura microcirúrgica parecem provocar uma diferença notável nos padrões de cicatrização das incisões, especialmente nas áreas de papilas. Além disso, um ganho adicional de tecido queratinizado também pode ser atribuído como mais uma vantagem da abordagem microcirúrgica. Isto ocorre porque o microscópio propicia uma manipulação mais precisa e atraumática dos tecidos moles, que acelera a cicatrização inicial nesses locais.

Além do microscópio cirúrgico, as medições quantitativas tridimensionais, feitas por meio do escaneamento digital, podem ser aplicadas nas cirurgias plásticas periodontais e peri-implantares. Este método de avaliação e planejamento é considerado clinicamente viável e não invasivo para a obtenção de resultados volumétricos positivos. Assim, quando o escaneamento digital é utilizado em conjunto com um microscópio cirúrgico e instrumentais atraumáticos específicos, o resultado final é uma melhora significativa na cicatrização dos tecidos moles.

O que ocorre é que, dependendo do procedimento, mesmo que você minimize o tempo de cirurgia e o trauma cirúrgico, ele ainda vai ser considerado uma cirurgia traumática. Um bom exemplo disso são as cirurgias de recobrimento de múltiplas recessões radiculares. Recobrir um hemiarco envolvendo cinco a seis dentes sempre irá provocar algum trauma, mesmo que você utilize técnicas pouco invasivas. Obviamente, quando utilizamos técnicas minimamente invasivas, este trauma será menor quando comparado com o das técnicas tradicionais, mas ainda irá provocar um certo desconforto aos pacientes.

Embora a tecnologia moderna ofereça excelentes resultados, a realização de procedimentos minimamente invasivos não significa necessariamente o uso obrigatório dos meios digitais ou de um microscópio cirúrgico. Você pode minimizar os traumas utilizando materiais e instrumentais próprios para este fim, sem o uso do microscópio cirúrgico. Além disso, as técnicas minimamente invasivas estão ligadas diretamente ao treinamento específico e à habilidade do operador. Profissionais bem treinados e que utilizam materiais e instrumentais atraumáticos podem obter excelentes resultados sem o uso de ferramentas digitais e microscópios.

Executar técnicas minimamente invasivas é mais uma questão que está diretamente relacionada com o manejo dos tecidos moles envolvendo incisões e suturas delicadas, resultando em um menor trauma e uma cicatrização de melhor qualidade obtida em um menor tempo. Conseguir manusear os tecidos moles de atraumática, sem o auxílio dos meios digitais e de um microscópio, parece ser um sonho realizável apenas para poucas mãos abençoadas. A maioria de nós, mortais pouco habilidosos, vai precisar de muito treinamento e do auxílio de ferramentas mais modernas disponíveis no meio digital.

Assim, ainda que você consiga excelentes resultados apenas aprimorando as técnicas convencionais, as vantagens em se utilizar a tecnologia digital associada a um microscópio cirúrgico são inúmeras. Mesmo sabendo que a abordagem microcirúrgica não é fácil de se realizar e requisita um intenso treinamento clínico, o uso destes equipamentos é um caminho sem volta na Odontologia. Em se tratando de cirurgias minimamente invasivas, certamente todos nós teremos que adotar esta tecnologia em nossas clínicas se quisermos obter melhores resultados, com menor morbidade e maior satisfação dos nossos pacientes.

Referências

  1. Novaes Jr. AB, Palioto DB. Experimental and clinical studies on plastic periodontal procedures. Periodontol 2000 2019;79(1):56-80.
  2. Bittencourt S, Del Peloso Ribeiro E, Sallum EA, Nociti Jr. FH, Casati MZ. Surgical microscope may enhance root coverage with subepithelial connective tissue graft: a randomized‐controlled clinical trial. J Periodontol 2012;83(6):721‐30.
  3. Xue F, Zhang R, Cai Y, Zhang Y, Kang N, Luan Q. Three-dimensional quantitative measurement of buccal augmented tissue with modified coronally advanced tunnel technique and de-epithelialized gingival graft: a prospective case series. BMC Oral Health 2021;21(1):157.

Assim diz o Senhor: “Mantenham o direito e pratiquem a justiça, porque a minha salvação está prestes a vir, e a minha justiça está prestes a se manifestar. Bem-aventurado quem faz isto, e aquele que nisto se firma, que se guarda de profanar o sábado e guarda a sua mão de cometer algum mal.”

(Isaías 56:1,2)

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