Doenças sistêmicas e a peri-implantite

doenças sistêmicas e peri-implantite
Marco Bianchini destaca que grupo de pesquisadores acredita que as doenças sistêmicas podem influenciar na peri-implantite.

As taxas de sucesso e sobrevivência da terapia com implantes dentários estão amplamente relatadas na literatura, variando de 90% a 99%, dependendo do período de acompanhamento do implante. Proporcionalmente a este crescimento e aceitação da Implantodontia, o número de implantes dentários colocados no mundo aumentou notoriamente nas últimas décadas. Como resultado, a frequência de complicações e doenças peri-implantares tornou-se um problema emergente atual que deve ser levado em consideração por todos aqueles que praticam a Implantodontia.

Atualmente, a prevalência, etiologia e definição precisa das doenças peri-implantares, mais especificamente a peri-implantite, são uma questão controversa na literatura. Assim, os seguintes fatores podem ser a origem de tal controvérsia: parâmetros para se diagnosticar as alterações peri-implantares, inconsistências metodológicas dos estudos, falta de consenso em fatores etiológicos e populações de estudo heterogêneas. Estas dificuldades acabam gerando ausência de evidências confiáveis para se determinar a magnitude e os fatores reais que desencadeiam uma peri-implantite. Além disso, existe um grupo de pesquisadores que defendem a teoria de que as doenças peri-implantares e a perda óssea crestal podem ser causadas por uma reação de corpo estranho a biomateriais, modulada por processos imunológicos e inflamatórios que são controlados principalmente por fatores sistêmicos e características genéticas do paciente.

Embora ainda existam estas variáveis, a maioria das pesquisas mais consistentes sobre perdas ósseas nos implantes relatou que a progressão da peri-implantite segue um padrão não linear acelerado, que um diagnóstico precoce da mucosite peri-implantar é um fator-chave para a prevenção de futuras infecções peri-implantares e perdas ósseas. No entanto, o estágio exato em que a mucosite se transforma em peri-implantite não está completamente esclarecido. Consequentemente, a dificuldade de um diagnóstico adequado e precoce da doença peri-implantar desafiou e influenciou os estudos clínicos a se concentrarem na determinação dos fatores etiológicos da peri-implantite.

Diversos indicadores de risco, como doenças sistêmicas, periodontite e tabagismo, têm sido associados à falha dos implantes e causadores de doenças peri-implantares. Na verdade, alguns estudos enfatizam que fatores sistêmicos e/ou imunológicos e características genéticas são a principal causa da peri-implantite. Entretanto, algumas investigações que relataram esses resultados apresentam populações heterogêneas, envolvendo variáveis sistêmicas interferentes. Desta forma, ainda é muito difícil explicar por que alguns implantes que permaneceram saudáveis durante muitos anos podem apresentar perdas ósseas em uma velocidade muito rápida. As Figuras 1 a 4 ilustram uma situação deste calibre.

Atualmente, poucos estudos retrospectivos sobre peri-implantite consideram como critério de exclusão os pacientes que relatam distúrbios imunológicos ou sistêmicos, fazem uso de medicamentos e têm história ou periodontite ativa. A maioria das pesquisas avalia as características locais do implante como possíveis fatores de risco para peri-implantite, desconsiderando os fatores sistêmicos ou possíveis comorbidades que possam estar influenciando na perda óssea peri-implantar. Cabe a nós, clínicos, continuar avaliando intensamente a saúde geral dos nossos pacientes antes de realizarmos implantes e, principalmente, antes de tentarmos qualquer terapia para tratar uma peri-implantite.

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” (Isaías 9:6)

Translate »