Extrusão ortodôntica: quando optar?

extrusão ortodôntica
Marco Bianchini destaca que a extrusão ortodôntica pode ser um interessante método para o tratamento de alguns defeitos periodontais.
Data de publicação: 09/10/2020

A extrusão de dentes pela movimentação ortodôntica programada tem sido defendida como um método eficaz para o tratamento de defeitos infraósseos de uma e duas paredes. Este tipo de tratamento ortodôntico obtém efeitos favoráveis em bolsas periodontais pré-existentes, incluindo a redução na profundidade destas bolsas, o aumento do volume de mucosa ceratinizada e, ainda, a aposição de osso crestal sobre o defeito. Embora uma resposta semelhante dos tecidos também seja observada em dentes que extrusionam naturalmente, parece biologicamente razoável que o alongamento das fibras do ligamento periodontal induza alguma aposição óssea na crista alveolar, melhorando o prognóstico periodontal destes dentes.

Outra indicação da extrusão ortodôntica está na extrusão de dentes condenados, que serão substituídos por implantes. Esta movimentação ajuda a preservar e/ou aumentar os tecidos moles e duros antes da colocação do implante. Em geral, a extrusão ortodôntica pode ser um método eficaz e menos invasivo para o ganho de osso e mucosa ceratinizada previamente à colocação de implantes em alvéolos de dentes que estão condenados, especialmente se um tratamento ortodôntico geral já estiver sendo realizado. Este ganho prévio à colocação do implante é muito importante, principalmente em áreas estéticas, evitando sobrecontornos exagerados nas próteses sobre implantes que dificultem a autolimpeza e o controle de biofilme.

Assim, pode-se afirmar que, durante a extrusão ortodôntica, o osso alveolar e os tecidos moles são deslocados coronalmente, junto com a junção cemento-esmalte, favorecendo a preservação dos tecidos periodontais. Além disso, existem algumas evidências de que a eliminação ou redução das bolsas periodontais, através da terapia não cirúrgica, antes da extrusão, aumenta a probabilidade de migração dos tecidos moles e duros, favorecendo ainda mais os bons resultados no que diz respeito à preservação dos tecidos periodontais e estabilização da doença.

A extrusão ortodôntica dos dentes tem uma série de efeitos desejáveis na posição da margem gengival, profundidade de bolsa e largura da gengiva inserida. Normalmente, a margem gengival segue a direção do deslocamento dentário, mas com uma extensão variável. A largura da gengiva inserida também aumenta porque a margem gengival livre é deslocada mais para coronal do que a margem mucogengival. Estes benefícios se mostram bastante interessantes quando dentes condenados são extraídos pela extrusão ortodôntica lenta, mantendo os tecidos duros e moles em um nível que favorece o sucesso estético e funcional na colocação de implantes nestes locais.

Contudo, o maior problema relativo à extrusão ortodôntica está no imediatismo que alguns profissionais e pacientes insistem em obter em seus tratamentos. Desta forma, muitas vezes esta técnica é abandonada porque exige um maior tempo de tratamento. Para ilustrar este tipo de terapia, as Figuras 1 a 5 demonstram um caso com 20 anos de acompanhamento após a realização de uma extrusão ortodôntica na região anterior superior.

A extrusão ortodôntica pode ser um interessante método para se tratar alguns defeitos periodontais em dentes naturais ou realizar uma extração lenta, a fim de ganhar altura óssea, bem como largura e altura de mucosa ceratinizada. A região anterior superior é uma das mais difíceis de ser reabilitada com quatro implantes unitários. O caso em questão apresenta uma resolução interessante que poderia ser melhorada utilizando-se implantes cone-morse, o que não era tão comum há 20 anos. Assim, utilizar desenhos de implantes mais modernos, com técnicas combinadas de manipulação tecidual dos tecidos duros e moles, associadas a movimentos ortodônticos de tração e extrusão, pode ajudar na preservação dos tecidos, levando a resultados satisfatórios.

“Mas se o ímpio se converter de todos os pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e proceder com retidão e justiça, certamente viverá; não morrerá. De todas as transgressões que cometeu, não haverá lembrança contra ele; pela justiça que praticou, viverá. Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor Deus. Não. Desejo antes que se converta dos seus caminhos e viva” (Ezequiel,18:21-23)

Marco Aurélio BianchiniMarco Bianchini
Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros “O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia” e “Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares”.
Contato: bian07@yahoo.com.br | Facebook: bianchiniodontologia | Instagram: @bianchini_odontologia