Limpeza de superfície interproximal: qual a melhor ferramenta?

limpeza interproximal
Escova interdental, bastão de limpeza de borracha, palito ou fio dental: qual ferramenta usar? (Imagem: Depositphotos)
Escova interdental, bastão de borracha, palito ou fio dental? Marco Bianchini analisa os dispositivos indicados para limpeza interproximal.

Todas as superfícies expostas à formação de biofilme intraoral devem ser limpas mecanicamente pelos nossos pacientes. Entretanto, algumas destas superfícies, principalmente as interproximais, não são alcançadas por escovas de dente comuns. O problema aumenta nos pacientes tidos como “pacientes periodontais” ou naqueles com próteses sobre implantes, difíceis de higienizar.              

Pacientes periodontais e reabilitados com implantes, geralmente, apresentam sequelas nas regiões proximais, que favorecem um maior acúmulo de placa. Assim, deve-se compreender que a limpeza interproximal é essencial para se manter a saúde gengival interproximal e, em particular, para a prevenção da recorrência da doença periodontal ou peri-implantar nestas áreas.              

A correta higienização das áreas interproximais pode ser feita com o uso de diferentes dispositivos. Escovas interdentais, bastões de limpeza de borracha, bastões de madeira (palitos), irrigadores orais e fio dental são os mais conhecidos utensílios utilizados na limpeza interproximal. No entanto, todos estes dispositivos têm o potencial de gerar efeitos colaterais e seu uso deve ser monitorado, não apenas no que diz respeito à eficácia, mas também no que diz respeito aos primeiros sinais de trauma, como o início de lesões cervicais não cariosas e traumas nos tecidos gengivais.              

Existe um risco moderado de trauma devido ao uso de dispositivos de limpeza interdental, quando não utilizados de forma adequada. Portanto, a instrução individual para cada paciente, observando-se as particularidades de cada caso, deve ser realizada cuidadosamente pelos profissionais. E mesmo sabendo dos riscos de trauma, os benefícios de uma correta higiene interproximal superam de longe os riscos gerados por ela e melhoram os resultados dos tratamentos a longo prazo.              

Os profissionais de atendimento odontológico devem adaptar os melhores dispositivos e métodos de higiene oral, de acordo com os níveis de habilidade e preferências dos pacientes. A aceitação do paciente é crucial para o sucesso da higiene oral. Desta forma, devemos levar em consideração suas necessidades e preferências ao escolher o design de uma escova ou de dispositivos de limpeza interdental.              

Evidências clínicas indicam que a eficácia das escovas interdentais depende da relação entre o tamanho da escova e o tamanho e forma do espaço interdental. Os espaços interdentais apresentam uma grande variedade de tamanho e morfologia, e as escovas interdentais devem ser selecionadas especificamente para o espaço interdental individual de cada paciente.              

O fio dental, apesar de ser o “limpador” interdental mais conhecido, não é a primeira escolha de limpeza para pacientes periodontais ou reabilitados com implantes. Estudos têm demonstrado que as escovas interproximais têm um efeito de limpeza significativamente melhor do que o uso do fio dental nas regiões interproximais. Vale lembrar que os pacientes denominados “pacientes periodontais” possuem espaços interproximais avantajados, oriundos de sequelas da doença periodontal e/ou dos seus tratamentos. Assim, o fio dental acaba não sendo tão efetivo nestas áreas.              

Outra ferramenta interessante para a limpeza interproximal são os irrigadores orais. Apesar de alguns estudos não demonstrarem que estes aparelhos diminuem os escores de formação de placa bacteriana, a maioria das pesquisas demonstrou um efeito significativo do irrigador na redução das medidas de inflamação gengival. Assim, sabendo que a gengivite pode ser uma precursora da periodontite e que a mucosite geralmente precede uma peri-implantite, a diminuição da inflamação gengival, proporcionada pelos irrigadores orais, pode ser um interessante fator coadjuvante a ser usado na prevenção destas doenças periodontais e peri-implantares.              

Embora existam limpadores interdentais muito pequenos e finos disponíveis no mercado, deve-se perceber que nem todos os espaços interdentais são facilmente acessíveis. Desta forma, caberá ao clínico, em conjunto com o cliente, selecionar a ferramenta adequada para cada paciente, segundo as suas necessidades.

Referências

  1. Sanz M, Herrera D, Kebschull M, Chapple I, Jepsen S, Beglundh T et al. EFP Workshop Participants and Methodological Consultants. Treatment of stage I-III periodontitis – the EFP S3 level clinical practice guideline. J Clin Periodontol 2020;47(suppl.22):4-60.
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  4. Hennequin-Hoenderdos NL, van der Sluijs E, van der Weijden GA, Slot DE. Efficacy of a rubber bristles interdental cleaner compared to an interdental brush on dental plaque, gingival bleeding and gingival abrasion: a randomized clinical trial. Int J Dent Hyg 2018;16(3):380-8.

Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossas transgressões, nos deu vida juntamente com Cristo — pela graça vocês são salvos —e juntamente com Ele nos ressuscitou e com Ele nos fez assentar nas regiões celestiais em Cristo Jesus.”

(Efésios 2:4-6)

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