Mudanças no desenho dos implantes podem acelerar a osseointegração?

desenho dos implantes
Em sua coluna, Marco Bianchini traz estudos para debater a relação entre as mudanças no desenho dos implantes e a osseointegração.
Data de publicação: 19/03/2021

Cirurgicamente, sempre foi aceito que na etapa de perfuração para preparar um local para a instalação de um implante seria utilizada uma sequência de brocas, para que os implantes atingissem um alto torque de inserção final. No entanto, dependendo da densidade óssea no local, esses altos níveis de torque podem causar aumento da resposta inflamatória e, em alguns casos, necrose em áreas ao redor do implante.           

Levando em consideração esses conceitos, estudos recentes1-2 têm proposto mudanças em  relação ao tamanho da osteotomia para a colocação do implante, ou seja, uma perfuração em que o tamanho do leito é mais próximo do diâmetro externo das roscas do implante, diminuindo assim o torque de inserção do implante e, consequentemente, a compressão do tecido ósseo ao redor da fixação, evitando necroses ósseas indesejáveis.           

Além dessas mudanças na sequência de brocas, uma nova macrogeometria dos implantes (desenho) vem sendo desenvolvida com câmaras de cicatrização no corpo da fixação, para diminuir a compressão no tecido ósseo sem alterar a sequência do sistema de perfuração2. Estudos1-2 têm demonstrado que este tipo de design acelera o tempo de osseointegração sem necessitar de um alto torque de travamento, mesmo que o osso seja mais esponjoso. As Figuras 1 e 2 demonstram a diferença entre a macrogeometria de dois implantes.

Os resultados encontrados nestas pesquisas, que avaliam estas câmaras de cicatrização2, mostraram que mudanças no macrodesign dos implantes podem produzir um aumento significativo para a aceleração do processo de cicatrização óssea ao redor dos implantes (osseointegração). Maiores valores de contato osso-implante, estabilidade primária e torque de remoção, bem como maior quantidade e qualidade do osso aderido à superfície dos implantes com o novo macrodesenho, corroboram a importância da macrogenometria do implante no processo de osseointegração. As Figuras 3 a 5 demonstram um caso clínico no qual foi utilizado um implante com câmaras de cicatrização em um osso extremamente esponjoso. 

As pesquisas1-2 e o desenvolvimento desta nova macrogeometria demonstraram que a presença das câmaras de cicatrização e a não compressão do tecido ósseo durante a instalação do implante beneficiam e aceleram a osseointegração. Dogmas a respeito da necessidade de um alto travamento, bem como a consideração do osso esponjoso como sendo um osso “pobre” para a colocação de implantes, vêm sendo derrubados através da modificação do desenho dos implantes, fazendo com que a Implantodontia aumente o seu leque de indicações, beneficiando cada vez mais pacientes.

Referências

  1. Gehrke SA, Júnior JA, Pérez-Díaz L, do Prado TD, Dedavid BA, Mazon P et al. Can changes in implant macrogeometry accelerate the osseointegration process?: an in vivo experimental biomechanical and histological evaluations. PLOS ONE. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0233304 May 14, 2020.
  2. Gehrke SA, Bettach R, Cayron B, Boukhris G, Dedavid BA, Frutos JCP. Development of a new drill design to improve the temperature control during the osteotomy for dental implants: a comparative in vitro analysis. Biology 2020;9(8):208.

“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.”
(
Mateus 7:24,25)

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