Novas tecnologias em elevação do assoalho do seio maxilar

Elevação do assoalho do seio maxilar
Elevação do assoalho do seio maxilar: em relato de caso, Luís Guilherme Macedo demonstra a abertura de janela lateral de maneira delicada.

A região posterior da maxila sempre foi um desafio para o cirurgião-dentista quando o intuito é a reabilitação por meio de implantes osseointegráveis. A presença do seio maxilar pneumatizado, muitas vezes, impede a instalação de implantes em um primeiro momento, sendo necessário um procedimento de elevação do assoalho sinusal, com posterior preenchimento da cavidade com biomaterial, para a obtenção de neoformação óssea que possa suportar os implantes.

A técnica da janela lateral, publicada por Boyne & James (1980), na qual é realizada osteotomia na parede óssea vestibular para ter acesso à cavidade sinusal, tem sido a mais utilizada pelos cirurgiões-dentistas, com resultados bastante previsíveis. Todavia, intercorrências como perfurações da membrana de Schneider podem ocorrer em até 46% dos casos, fato que pode estar associado à instrumentação inadequada, experiência do operador, espessura da membrana sinusal, presença de processos inflamatórios e/ou infecciosos, e pacientes fumantes.

Apesar de ser considerada uma intercorrência bastante frequente, o fato é que a literatura tem demonstrado as possíveis consequências dessa perfuração em virtude da comunicação com as vias aéreas, como quadros de sinusite pós-operatória, supuração, exposição e perda dos enxertos, e, mais recentemente, perda de implantes.

Há um maior risco de perda de implantes em casos em que houve perfuração da membrana sinusal (veja mais sobre o tema no site da revista ImplantNews), em comparação aos casos de implantes instalados em áreas enxertadas, sem que tal intercorrência tenha ocorrido. Dessa forma, a instrumentação e manipulação da membrana de Schneider de forma delicada e com instrumentos específicos se faz necessária.

O intuito desse relato de caso é demonstrar a utilização da abertura de janela lateral de maneira delicada, com dimensões suficientes para proporcionar o descolamento adequado e inserção do material de enxertia por meio de fresas que atuam por desgastes laterais e sem cortes na ponta.

No caso ilustrado, após uma incisão na crista óssea e duas incisões verticais de alívio, um retalho de espessura total foi deslocado para acesso à região óssea desdentada. Com o uso de um fresa esférica diamantada nº 6, montada em peça-reta cirúrgica, e irrigação abundante com solução fisiológica, foi feito um orifício para acesso à cavidade sinusal e para permitir a utilização de uma segunda fresa sem ponta ativa cortante, possuindo a porção diamantada apenas na haste, proporcionando um corte lateral. A ponta ativa da broca permite o descolamento da membrana sinusal durante o movimento circular, para ampliar o diâmetro da janela sem que a porção cortante tenha contato com a membrana, garantindo assim a sua integridade.

Com a janela realizada, instrumentos específicos foram utilizados para complementar o descolamento e elevação da membrana sinusal, criando o espaço necessário para a inserção do biomaterial. No presente caso, em virtude de um defeito na região mais próxima da crista óssea, um parafuso tenda foi parcialmente fixado para promover o suporte adequado à membrana absorvível de colágeno, proporcionando um ganho ósseo horizontal nessa região.

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