Peri-implantite na região posterior de maxila

peri-implantite na região posterior de maxila
Marco Bianchini analisa artigo que debate a incidência de peri-implantite de 277 implantes colocados na região posterior de maxila.

Neste mês de novembro, nosso grupo de pesquisa em Implantodontia, em conjunto com o grupo do professor Adriano Piattelli, da Itália, teve um artigo publicado em um importante periódico de Implantodontia (Clinical Oral Investigations) – que estamos disponibilizando na íntegra, para livre acesso de todos, no final deste texto. O artigo analisou a incidência de peri-implantite de 277 implantes colocados na região posterior de maxila. Os resultados demonstraram uma taxa de perda óssea peri-implantar maior do que aquela observada em outros locais da boca. Embora estes dados devam ser sempre avaliados com cuidado, pois todo e qualquer estudo apresenta limitações, vale a pena discutirmos um pouco sobre os implantes que são colocados na região posterior de maxila.

A estrutura anatômica e morfológica da maxila posterior, que possui menor densidade óssea e um volume ósseo reduzido, é considerada por alguns pesquisadores como sendo uma área crítica para o sucesso dos implantes dentários. Além disso, a carga mastigatória pesada nessas regiões posteriores também pode influenciar na taxa de sucesso desta área. Assim, a localização maxilar dos implantes dentários chega a ser até mesmo identificada como um indicador de risco estatisticamente significativo para o desenvolvimento de peri-implantite.

Essa nossa pesquisa avaliou 277 implantes, dos quais 57 (20,6%) apresentaram peri-implantite, acompanhando os resultados de publicações recentes, que também avaliaram a região posterior de maxila. Além disso, nosso estudo revelou diferenças significativas entre os tipos de próteses que foram avaliadas, demonstrando que a perda óssea adicional foi menor na presença de próteses unitárias do que em próteses fixas. Isso confirma a hipótese de implantes reabilitados com próteses fixas terem uma chance significativamente maior de perda óssea e inflamação peri-implantar do que aqueles reabilitados com próteses unitárias.

Certamente, estes resultados estão relacionados também ao grau de dificuldade que tanto os pacientes quanto os profissionais têm para executar a limpeza correta dessas próteses. Isto vai de encontro às inúmeras evidências que indicam que o acúmulo de placa é o principal fator etiológico para a inflamação dos tecidos moles peri-implantares. Como as próteses fixas, em especial as do tipo protocolo, são as mais difíceis de se higienizar, elas se tornam um nicho bacteriano, favorecendo o aparecimento da peri-implantite em maior quantidade do que nas unitárias.

Baseado nesses resultados, o tipo de prótese deve ser cuidadosamente escolhido durante os planos de tratamento de pacientes que necessitam de implantes na região posterior de maxila, uma vez que muitos estudos indicam que próteses fixas tipo protocolo aumentam o risco de peri-implantite. Na verdade, a peri-implantite é uma doença induzida por placa, que pode ser desencadeada por fatores etiológicos cirúrgicos e/ou protéticos oriundos das escolhas feitas pelos profissionais que realizam as reabilitações com implantes. As próteses unitárias são mais fáceis de se higienizar, embora também possam ser acometidas por perdas ósseas (Figura 1).

peri-implantite na região posterior de maxila
Figuras 1 – A. Visão clínica de uma coroa unitária suportada por implante. B. Profundidade de sondagem medida em torno da coroa unitária. C. Perda óssea peri-implantar que foi medida em ambos os lados da plataforma de implante.

 

Apesar dos resultados deste estudo serem um pouco alarmantes, pois 20% dos implantes da amostra apresentaram peri-implantite, eles devem ser interpretados com cautela. Além de se tratar de um estudo retrospectivo, vale lembrar que apenas implantes de plataforma hexagonal foram avaliados. A amostra não continha implantes de plataforma switching ou cone-morse, que comprovadamente vêm mostrando melhores resultados com relação à perda óssea. Já estamos preparando um estudo semelhante, analisando apenas conexões cônicas na maxila posterior, para estabelecermos uma adequada comparação. Mesmo assim, não se pode descartar o fato de que isso serve de alerta para quando estivermos realizando reabilitações na região posterior de maxila.

A maior relevância clínica desta publicação está na confirmação da importância das manutenções periódicas em Implantodontia. Assim como a maioria dos pacientes que recebem reabilitações com implantes, os pacientes reabilitados com próteses fixas na região posterior de maxila devem ser cuidadosamente monitorados e ter visitas de manutenção mais frequentes, para prevenir ou controlar a perda óssea peri-implantar.

Confira o artigo na íntegra:

“Porque Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação. Portanto, não te envergonhes de dar testemunho em favor de nosso Senhor.” (2 Timóteo 1:7,8)

Autor Marco Aurélio BianchiniMarco Bianchini
Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros “O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia” e “Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares”.
Contato: bian07@yahoo.com.br | Facebook: bianchiniodontologia | Instagram: @bianchini_odontologia