Quando indicar o uso de agentes antissépticos no controle do biofilme?

agentes antissépticos
A decisão de utilizar agentes antissépticos passa por alguns fatores. (Imagem: Depositphotos)
Marco Bianchini analisa a necessidade do uso de agentes antissépticos para bochechos diários, assim como suas principais indicações.

Sabe-se que a base do tratamento da inflamação gengival é a remoção mecânica e a autolimpeza do biofilme, seja sobre dentes ou sobre implantes. A remoção mecânica profissional da placa administrada rotineiramente, ou seja, em intervalos específicos e pré-determinados, como parte integrante do cuidado periodontal e peri-implantar resulta em baixas taxas de perdas de dentes e de implantes. Além disso, essa remoção mecânica feita pelos profissionais da Odontologia demonstrou também obter alterações limitadas na perda do nível de inserção de dentes e implantes, tanto a curto quanto a longo prazo, em pacientes tratados para gengivite, periodontite, peri-implantite e mucosite.               

Porém, mesmo com todas essas evidências de resultados favoráveis da remoção mecânica da placa, medidas coadjuvantes, incluindo terapias anti-sépticas, podem ser consideradas em casos específicos, como parte de uma abordagem de tratamento personalizada para controlar a inflamação gengival durante a manutenção periodontal e peri-implantar. O uso de alguns destes agentes antissépticos geralmente aparece na forma de solução para bochechos e é bem indicado, pois parece colaborar como um meio auxiliar para evitar a progressão e/ou recorrência da doença.               

Estes produtos antissépticos geralmente são fornecidos na forma de dentífricos, enxaguatórios bucais ou na combinação de ambos. Algumas evidências sugerem que os enxaguatórios teriam uma efetividade melhor do que os dentifrícios, pois se espalham pela boca mais facilmente. Contudo, a decisão na escolha de se utilizar produtos antissépticos na forma de soluções ou dentifrícios passa por alguns fatores:- Preferências dos pacientes com relação ao custo e sabor;- Intensidade na produção de efeitos colaterais, como manchas, perda do paladar e sensação de queimação;- Potenciais impactos negativos no aumento da pressão arterial;- Frequência necessária de uso.               

Outros agentes, como probióticos, anti-inflamatórios e antioxidantes, também podem ser encontrados na literatura como auxiliares no combate à formação do biofilme e consequente inflamação gengival. Porém, não se sabe ao certo se esses agentes são eficazes em longo prazo no controle da inflamação gengival em pacientes periodontais e peri-implantares.               

No que diz respeito às melhores fórmulas dos produtos antissépticos, a literatura parece ser bastante conclusiva. Embora novas formulações à base de oxigênio ativo estejam sendo utilizadas na terapia não cirúrgica periodontal e peri-implantar, dentifrícios e enxaguantes bucais contendo clorexidina, triclosan-copolímero, fluoreto de sódio e óleos essenciais para o controle da inflamação gengival são os preferidos em pacientes com problemas periodontais e peri-implantares.               

De maneira geral, o uso coadjuvante de agentes antissépticos está mais indicado para aqueles indivíduos que não são capazes de remover efetivamente os biofilmes supragengivais apenas com o uso de procedimentos mecânicos. Fatores como destreza manual, acessibilidade para limpeza, componentes anatômicos e doenças sistêmicas podem contribuir para a indicação correta dos produtos antissépticos durante a terapia ativa (no tratamento específico das doenças periodontal e peri-implantar), e também durante as manutenções periódicas na terapia de suporte.               

A maioria dos pacientes já utiliza algum tipo de agente antisséptico para bochechos diários. Entretanto, nem sempre o uso destes produtos é estritamente necessário. Desta forma, caberá ao clínico avaliar individualmente o comportamento de cada paciente, verificando a real necessidade de se utilizar estes produtos antissépticos. Pacientes que possuem um bom controle mecânico da placa e que se mantêm saudáveis ao longo dos anos não necessitam necessariamente fazer uso de soluções antissépticas. 

Referências

  1. Sanz M, Herrera D, Kebschull M, Chapple I, Jepsen S, Beglundh T et al. EFP Workshop Participants and Methodological Consultants. Treatment of stage I-III periodontitis – The EFP S3 level clinical practice guideline. J Clin Periodontol 2020;47(suppl.22):4-60.
  2. Figuero E, Roldan S, Serrano J, Escribano M, Martin C, Preshaw PM. Efficacy of adjunctive therapies in patients with gingival inflammation. A systematic review and meta-analysis. J Clin Periodontol 2020;47(suppl.22):125-43.
  3. Bescos R, Ashworth A, Cutler C, Brookes ZL, Belfield L, Rodiles A et al. Effects of chlorhexidine mouthwash on the oral microbiome. Science Reports 2020;10(1):5254.
  4. Koul A, Kabra R, Chopra R, Sharma N, Sekhar V. Comparative evaluation of oxygen releasing formula (Blue-M Gel®) and chlorhexidine gel as an adjunct with scaling and root planing in the management of patients with chronic periodontitis – a clínico-microbiological study. J Dent Specialities 2019;7(2):111-7.

“E que os mortos hão de ressuscitar também o mostrou Moisés junto da sarça, quando chama ao Senhor Deus de Abraão, e Deus de Isaque, e Deus de Jacó. Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele vivem todos.” (Lucas 20:37,38)

Translate »