O que você precisa saber para começar a revisão sistemática – parte 1

revisão sistemática
Paulo Rossetti dá dicas valiosas sobre a produção de uma revisão sistemática, esclarecendo as principais dúvidas sobre o assunto.

Ninguém sabe de onde veio o tiro, mas você estava no corredor. Missão: escrever uma revisão sistemática. Curiosamente, seu professor não tem experiência ou nunca participou deste processo. E agora? Uma revisão sistemática tem itens diferentes que devem ser considerados desde o princípio. Neste post, vamos começar a desembaralhar as principais dúvidas que os alunos têm sobre o assunto:

A revisão começa com uma pergunta: como montá-la?

A montagem tem quatro estágios:

– O PROBLEMA: o problema, normalmente, é o aumento (ou diminuição) de alguma situação que você tem no seu dia a dia clínico.

– A INTERVENÇÃO: normalmente, é uma terapia nova. Por exemplo, socket shield, BOPT, novos materiais, novos desenhos de próteses, novos sistemas adesivos.

– O CONTROLE: normalmente, é uma terapia consagrada. Por exemplo, colocação de implantes em rebordos já cicatrizados, coroas metalocerâmicas.

– O DESFECHO: o “outcome” é um parâmetro que você mede. Por exemplo, perda óssea marginal, mobilidade dentária, mobilidade do implante, pink esthetic score.

Aprendemos com exemplos? Sim. Então, veja a situação abaixo:

“O doutor X é uma pessoa muito estudiosa. Frequenta congressos regularmente. Neste final de semana, assistiu de forma on-line ao lançamento de uma nova técnica para preservar o tecido ósseo após a remoção dentária. Entretanto, sentiu que algumas perguntas não foram respondidas por falta de tempo, por exemplo, a mudança na estética gengival em função do tempo.”

Então, se você tivesse que fazer uma revisão sistemática, qual pergunta faria para ajudar nosso colega, o doutor X?

PROBLEMA= mudança na estética gengival ao longo do tempo

INTERVENÇÃO = nova terapia

CONTROLE = terapia consagrada

OUTCOME = pink esthetic escore

A pergunta principal seria:

Será que a (nova terapia), comparada à (terapia consagrada), fornece menos (mudança na estética gengival ao longo do tempo) ao usarmos o (pink esthetic score)?

Se o modelo de perguntar for usado outra vez para outras finalidades:

Será que a (nova terapia), comparada à (terapia consagrada), fornece menos (mudança nos níveis ósseos peri-implantares) sob o ângulo da (tomografia feixe cônico)?

Será que a (nova terapia), comparada à (terapia consagrada), fornece maior (satisfação do paciente) sob o ângulo da (escala de análise visual)?

Para entender mais o processo, assista:

Paulo Rossetti
Paulo Rossetti

Editor científico de Implantodontia da ImplantNews.
Orcid: 0000-0002-0868-6022.