O que você precisa saber para continuar a revisão sistemática – parte 2

revisão sistemática
Na segunda parte das dicas para a revisão sistemática, Paulo Rossetti aborda buscas na literatura e tratamento de referências de artigos.

Seu professor ou sua professora “pegou você para Cristo nesta semana”. Sua tarefa: reunir um grupo de colegas e fazer uma revisão sistemática. Não é o fim do mundo, mas também não é aquela revisão narrativa costumeira, ou a monografia que você já leu. Uma revisão sistemática tem itens diferentes que devem ser considerados desde o princípio. Neste segundo post (leia o primeiro aqui), vamos continuar a desembaralhar as principais dúvidas que os alunos têm sobre o assunto:

  1. Como fazer a busca na literatura – operadores booleanos: a busca tem dois aspectos. Primeiro, as palavras-chave. Segundo, a maneira pela qual estas palavras são combinadas (os famosos operadores booleanos “AND, “OR”, “NOT”). Vamos utilizar uma base de dados eletrônica e fazer um teste com as palavras “dental implants”, “bone loss” utilizando o operador booleano AND

dental implants” AND “bone loss” = 7.596 resultados

Agora, vamos supor que você deseja todos os artigos sobre o assunto, mas não quer trabalhos onde foram usados enxertos ósseos:

dental implants” AND “bone loss” NOT “bone grafts” = 5.994 resultados

Existem diversas maneiras de combinar palavras e fazer a busca, entretanto, em uma revisão sistemática, os autores deverão explicar como a fizeram. Motivo? Não existe uma estratégia igual a outra, portanto nunca existirá uma lista inicial de referências igual à outra.

LADO POSITIVO: quanto maior o número de filtros, menor o número de referências inicialmente recuperadas. LADO NEGATIVO: a busca eletrônica não é perfeita. Algo poderá escapar. Por isso, CONSIDERE olhar a lista de referências de cada artigo também.

  1. Referências de artigos são tratadas de forma diferente das referências de livros: os artigos sempre são fontes primárias. Por outro lado, livros (ou capítulos de livros) são fontes secundárias no contexto da revisão sistemática. Da lista inicial, somente artigos serão considerados nos critérios de inclusão e exclusão. Já os parágrafos dos livros serão utilizados como linhas de raciocínio complementares, por exemplo, nas seções Introdução ou Discussão. É preciso ter muito cuidado ao transcrever informações para não atribuir achados ou descobertas aos que não o fizeram (ocorre 95% das vezes).
  1. E as referências que são revisões sistemáticas? Da mesma forma, referências que são revisões sistemáticas NÃO PODEM ser consideradas fontes primárias. Serão utilizadas como linhas de raciocínio complementares, por exemplo, nas seções Introdução ou Discussão. Também, pode-se “olhar” a lista destas revisões sistemáticas para tentar extrair algo que “passou” na busca eletrônica.
  2. Mas eu já vi artigos que são “reuniões de revisões sistemáticas”! Sim, mas nesta modalidade, temos APENAS revisões sistemáticas selecionadas, com outra técnica de estudo, estatística etc. Para quem está começando, não é o caso.

Para entender mais o processo, assista:

Paulo Rossetti
Paulo Rossetti

Editor científico de Implantodontia da ImplantNews.
Orcid: 0000-0002-0868-6022.