Pilares de 0,8 milímetros de cinta metálica: por que não usar?

Na semana passada abordamos aqui neste espaço uma saudável discussão sobre perdas ósseas em implantes Cone Morse. Utilizamos como base científica um artigo publicado pelo nosso grupo no Journal Periodontolgy no final do ano passado.1 Um dos tópicos mais interessantes desta publicação foi a confirmação estatística daquilo que já vínhamos observando clinicamente há muitos anos: pilares com cintas metálicas curtas, como os de 0,8 mm pareciam gerar mais peri-implantite.

No nosso artigo observamos que a altura baixa do pilar transmucoso (≤1,5 mm) foi significativamente associada à prevalência de peri-implantite. Na verdade, esta característica protética encurta a distância entre o contorno da restauração e o osso peri-implantar subjacente. Este encurtamento leva a uma invasão do espaço biológico transmucoso peri-implantar e provoca uma reação osteolítica inflamatória, que resulta na perda óssea. A figura 1 ilustra uma situação de um Implante Cone Morse onde foi colocado um pilar com transmucoso de altura “zero”, que acabou gerando uma peri-implantite.

Figura 1 – Imagens –radiográfica e clínica – de um implante cone-morse colocado na região do dente 14 com um pilar protético de cinta “zero”. Observar a imagem da coroa protética na radiografia, demonstrando um visível sobre contorno. Observar também o sangramento a sondagem, caracterizando a presença de uma inflamação localizada no implante.

 

Da mesma forma que os nossos achados, uma revisão sistemática2 concluiu que os implantes colocados no nível do osso com altura transmucosa superior a 2 mm apresentaram redução da perda óssea marginal durante o primeiro ano, após a conexão do pilar e durante períodos pós-carga mais longos. Estes resultados indicam que a altura do pilar parece ter alguma influência no aparecimento da peri-implantite em implantes Cone Morse. A figura 2 ilustra uma situação clínica onde foram utilizados pilares protéticos com cinta metálica superior a 2 mm.

Figura 2 – Imagens radiográficas com controle de um ano de coroas protéticas com pilares estreitos e com altura superior a 2mm. Observar o “vedamento” ósseo junto aos pilares.


O aspecto acima mencionado tem implicações clínicas importantes para a seleção adequada da altura transmucosa do pilar. Uma saída para se evitar o uso de pilares muito curtos é se considerar a realização de um enxerto de tecido mole para aumentar a altura, espessura e largura da mucosa ceratinizada peri-implantar antes da entrega da coroa. O aumento de tecido ceratinizado, além de evitar um maior acúmulo de placa, também facilita a auto-limpeza. Tudo isso associado a um pilar com cinta metálica mais longa, vai contribuir para que o osso peri-implantar se mantenha estável.

Por fim, é sempre importante ressaltar que, além da disponibilidade do volume de tecido ceratinizado sobre o implante, uma das causas de escolhermos pilares mais curtos é a altura interoclusal. O pouco espaço interoclusal impede o uso de pilares mais altos. Sendo assim, nunca é demais relembrar que os implantes Cone Morse devem ser colocados de 1 a 3mm dentro do osso, a fim de se evitar perdas ósseas precoces.

Referências:

  • 1 – Apaza-Bedoya K, Galarraga-Vinueza ME, Correa BB, Schwarz F, Bianchini MA, Magalhães Benfatti CA. Prevalence, risk indicators, and clinical characteristics of peri-implant mucositis and peri-implantitis for an internal conical connection implant system: A multicenter cross-sectional study. J Periodontol. 2023;1-12. https://doi.org/10.1002/JPER.23-0355
  • 2- Chen Z, Lin CY, Li J, Wang HL, Yu H. Influence of abutment height on peri-implant marginal bone loss: a systematic review and meta-analysis. J Prosthet Dent. 2019;122:14-21.

“Tomem cuidado para que ninguém pague o mal com o mal. Pelo contrário, procurem em todas as ocasiões fazer o bem uns aos outros e também aos que não são irmãos na fé. Estejam sempre alegres, orem sem cessar e sejam agradecidos a Deus em todas as ocasiões. Isso é o que Deus quer de vocês por estarem unidos com Cristo Jesus.”  (1 Tessalonicenses 5:15-18)

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