Precisamos discutir a relação… cêntrica!

relação cêntrica
Paulo Rossetti traz uma verdadeira “DR” sobre relação cêntrica e posicionamento condilar, abordando aspectos interessantes do tema.

Se o Hamlet, de Shakespeare, fosse um colega de profissão, talvez dissesse: “Posicionar ou não posicionar? Eis a questão!”. Basta observar: a nona edição do Glossário de Termos em Prótese Dentária (2017) traz diversas palavras e sinônimos para descrever esta posição conceitual e diferenciá-la da máxima intercuspidação habitual.

Em 1984, na cidade de Newport (EUA), houve uma verdadeira “DR” sobre relação cêntrica e posicionamento condilar. O conceito foi modificado para a “posição mais superior do côndilo contra a fossa glenoide e com o disco anatomicamente interposto”. Só mais tarde é que se falaria em “posição ortopedicamente estável”.

Vamos lembrar que a cêntrica não é uma posição dentária. Ou seja, mordeu (ocluiu), está fora da cêntrica; você atingiu a habitual. Até aqui é simples e você poderá usar ferramentas pré-fabricadas para montar seu “joguinho da cêntrica” (disco articular, dimensão vertical, registros interoclusais, jig de Lucia etc.). Entretanto, passar para o “andar de cima” (possíveis relações de causa-efeito entre ATM, musculatura e dor) é para os mais aficionados por informática e, provavelmente, os que já escrevem em código chegarão ao final do desafio.

Na clínica, as situações clássicas para uso da relação cêntrica continuam valendo porque o problema é biomecânico: pacientes com ausência dos dentes posteriores (falta de contenção) colocam toda a carga vertical nos dentes anteriores (que são desenhados apenas para incisar). Ao buscarmos uma posição de partida para o tratamento, encontraremos a cêntrica.

Outro aspecto interessante: ela é facilmente reprodutível pela manipulação simples (depois de um pouco de treinamento). Ainda, a espessura reduzida do registro interoclusal levará ao começo do intervalo de rotação e, assim, o eixo terminal intercondilar imaginário estaria mais próximo ao do articulador semiajustável.

Ok, basta de “sessão de terapia”. Abaixo, você encontrará exercícios interessantes para fazer em casa. Até a próxima quarta!

Referências

  1. Weinberg LA. Optimum temporomandibular joint condyle position in clinical practice. Int J Periodontics Restorative Dent 1985;5(1):10-27.
  2. Celenza FV. The condylar position: in sickness and in health (Oh when do we part?). Int J Periodontics Restorative Dent 1985;5(2):38-51.
  3. Dawson PE. Optimum TMJ condyle position in clinical practice. Int J Periodontics Restorative Dent 1985;5(3):10-31.
  4. McNeill C. The optimum temporomandibular joint condyle position in clinical practice. Int J Periodontics Restorative Dent 1985;5(6):52-76.

Paulo Rossetti
Paulo Rossetti

Editor científico de Implantodontia da ImplantNews.
Orcid: 0000-0002-0868-6022.