Reabsorção radicular requer atenção especial

reabsorção radicular
Marco Bianchini relata caso clínico com diagnóstico de reabsorção radicular externa cervical, com indicação de exodontia e implante imediato.

Os dentes com reabsorções radiculares podem se tornar um dos maiores desafios para nós, implantodontistas. Principalmente quando eles são condenados pelo endodontista e o único tratamento viável é a exodontia e o implante imediato. Foi exatamente isso que aconteceu, nesta semana, em minha clínica particular. Recebi um paciente que foi diagnosticado com uma importante reabsorção radicular externa cervical, e que o tratamento mais pertinente seria a exodontia e a colocação de um implante imediato. As Figuras 1 a 3 ilustram o diagnóstico do caso.

O planejamento proposto foi a exodontia dos elementos 33 e 42 e a colocação de dois implantes imediatos nas respectivas áreas. Tudo em uma única sessão. Entretanto, devido à dificuldade durante a exodontia do 33, acabamos por realizar apenas a exodontia e o implante imediato no 33, deixando o tratamento do dente 42 para outra consulta. E é exatamente esta dificuldade de exodontias de dentes com reabsorções radiculares que podem complicar sobremaneira uma situação que aparentemente parece ser relativamente simples.         

Dente com reabsorção radicular extensa pode estar anquilosado ou extremamente fragilizado, fazendo com que se frature mais facilmente e dificultando a extração. Quem já se deparou com uma situação dessas entende exatamente o que eu estou tentando explicar aqui. Elementos com reabsorções intensas vão literalmente se “esfarelando” durante a extração, nos deixando extremamente apreensivos, pois temos que ir removendo fragmento por fragmento até conseguir a extração completa de todo o elemento dental.

Muitas vezes essa remoção exige que façamos osteotomias indesejáveis que irão prejudicar a colocação imediata do implante, uma vez que o objetivo é a preservação alveolar. Neste caso aqui apresentado, ocorreu exatamente isso. Eu tive que realizar uma série de procedimentos invasivos, com remoção do osso que circundava o remanescente dental, visando melhorar o acesso para completar com sucesso a exodontia e ainda viabilizar a colocação do implante imediato. A Figura 4 demonstra o resultado final após a exodontia e colocação de implante imediato na região do 33.

Os implantes cone-morse têm o seu desenho preconizado justamente para serem introduzidos dentro do osso. Neste caso, este posicionamento intraósseo teve de ser realizado devido à extensa osteotomia vestibular que foi realizada para viabilizar a exodontia. Obviamente que posicionamentos extremamente intraósseos podem dificultar a resolução protética, mas não contraindicam o seu uso. Cabe ao profissional avaliar se realmente vale a pena a realização do implante imediato ou a realização de um enxerto no alvéolo para a colocação postergada do implante.

Neste caso, avaliamos como viável a colocação imediata do implante que foi realizado juntamente com procedimentos de enxertia óssea (Lumina Bone Porous – Critéria, São Paulo/Brasil) nos gaps vestibular e palatal entre o osso alveolar remanescente e o implante, tudo recoberto por membrana de colágeno (Lumina Bond Double Time – Critéria, São Paulo/Brasil), visando à preservação alveolar completa e a manutenção dos tecidos moles em uma posição favorável. A Figura 5 ilustra a sutura final.

Situações clínicas que envolvem extrações muito traumáticas acabam dificultando a resolução dos casos. As reabsorções radiculares constituem-se em uma dessas situações que dificultam a exodontia, seja para a realização de um implante imediato ou para a opção de se colocar o implante em um segundo tempo cirúrgico. O diagnóstico dessas reabsorções e o planejamento através das tomografias prévias nos faz entrar na cirurgia já sabendo de antemão o que iremos encontrar. Obviamente que isso não facilita nem muda o caso, mas certamente nos faz entrar mais preparados para os desafios que poderemos ter que enfrentar.

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Matheus 11:28-30)

Marco BianchiniMarco Bianchini
Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros “O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia” e “Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares”.
Contato: bian07@yahoo.com.br | Facebook: bianchiniodontologia | Instagram: @bianchini_odontologia