Cicatrização da gengivectomia simples

A técnica de gengivectomia/gengivoplastia é bastante antiga e vem sendo utilizada há mais de 100 anos na Periodontia. Introduzida pela primeira vez por Robicsek, em 18831, esta terapia foi definida como a excisão da parede mole da bolsa e foi inicialmente utilizada para o tratamento da doença periodontal nas suas mais variadas formas.

Com o passar dos anos, a técnica teve a sua indicação mais focada para a erradicação completa das bolsas supraósseas, em combinação com a gengivoplastia, para alcançar um tecido mole harmonioso com contorno fisiológico adequado2. Atualmente, a gengivectomia tem sido bastante associada a cirurgia de aumento de coroa clínica para correção do sorriso gengival.

Contudo, mesmo com todas estas variações, a gengivectomia simples e mais direta, que corrige apenas pequenas distorções, ainda é bastante utilizada em nossa clínica diária. São aquelas situações onde o tecido ósseo se manteve estável e temos apenas um crescimento coronal da gengiva. As figuras 1 a 6 ilustram uma gengivectomia, seguida de gengivoplastia, em uma paciente jovem que recém havia removido o aparelho ortodôntico e ficou com sequelas estéticas no arco superior. 

Os tecidos moles que sofreram uma gengivectomia normalmente recuperam sua aparência clínica normal em 14 dias. No entanto, a remodelação subjacente continuará a ocorrer por até 12 semanas2. Entretanto, a normalidade dos tecidos moles que compõe as distâncias biológicas (epitélio sulcular, epitélio juncional e inserção conjuntiva) só ocorrerá, no mínimo em 45 dias. Este período pode variar bastante entre os pacientes, em função dos biótipos gengivais finos ou espessos, podendo chegar até 180 dias em alguns casos. 

O fato de não se ter realizado nenhuma modificação óssea faz com que a gengiva tenha uma tendência a se reposicionar no mesmo local que estava originalmente, mesmo após a excisão do colarinho pela gengivectomia. Como não houve descolamentos de retalhos e tão pouco o posicionamento dos mesmos em regiões mais apicais, a possibilidade de recidivas que recubram as áreas operadas realmente existe. Felizmente, o caso apresentado aqui se manteve estável por 20 anos, auxiliado, muito provavelmente, pelo crescimento e remodelação óssea ocorridos neste espaço de tempo.

Referências:

1 – Stern IB, Everett FG, Robicsek K. S. Robicsek – a pioneer in the surgical treatment of periodontal disease. J Periodontol 1965: 36: 265–268.

2 – DAVID E. DEAS, ALAN J. MORITZ, RUBEN S. SAGUN JR., SCOTT F. GRUWELL & CHARLES A. POWELL . Scaling and root planing vs. conservative surgery in the treatment of chronic periodontitis. Periodontology 2000, Vol. 71, 2016, 128–139

Deus está sempre vigiando tudo o que acontece no mundo a fim de dar forças a todos os que são fiéis a ele com todo o coração.” (2 Crônicas 16:9)

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