Hexágono externo x cone-morse: qual é o melhor?

hexágono externo cone-morse
Muitos trabalhos da literatura têm comparado hexágono externo e cone-morse. Marco Bianchini mostra qual deles traz resultados superiores.

As reabilitações com implantes osseointegrados, utilizando o conceito de plataforma switching, vêm apresentando bons resultados e sendo cada vez mais realizadas e estudadas na literatura. Este conceito1 consiste na utilização de um componente protético de menor diâmetro conectado à plataforma de um implante de maior diâmetro, criando um “degrau” de 90º entre o implante e o componente protético.

A literatura demonstra que, após a colocação de implantes convencionais com hexágono externo, ocorrem perdas ósseas de variadas amplitudes. Essas perdas ósseas, conhecidas como saucerização, consistem no estabelecimento da distância biológica do implante, assim como ocorre em dentes naturais, a fim de promover selamento biológico contra os microrganismos. Outros fatores também podem interferir nessas perdas ósseas, como o tratamento de superfície do implante, o tipo de conexão e o posicionamento do implante em relação à crista óssea.

A utilização da plataforma switching, somada ao posicionamento infraósseo dos implantes cone-morse, tem proporcionado a manutenção dos tecidos peri-implantares duros e moles. O estreitamento que ocorre nesse tipo de conexão possibilita a obtenção de um perfil de emergência que favorece o selamento biológico local. Esse selamento se deve ao reduzido espaço na interface implante/pilar, evitando o acúmulo de resíduos e microrganismos2.

Além disso, por se tratar de uma conexão interna, há uma melhor distribuição de forças para o interior e longo eixo do implante. Ainda neste tipo de conexão, tem sido observada a presença de epitélio juncional e tecido conjuntivo em íntimo contato com a interface implante/pilar, reforçando a ideia do selamento biológico peri-implantar2.

Muitos trabalhos têm sido descritos na literatura visando comparar estes dois tipos de plataformas de implantes. Os resultados demonstram uma superioridade da plataforma switching ou cone-morse sobre o hexágono externo. Mas nada melhor do que analisarmos um caso clínico em que estes dois tipos de conexões protéticas trabalharam lado a lado.

O caso clínico abaixo demonstra esta situação e gera uma reflexão bastante interessante quando comparamos as duas plataformas. Obviamente, a imagem radiográfica mostra padrões ósseos peri-implantares distintos. O implante hexágono externo demonstra uma leve saucerização, enquanto o implante cone-morse ilustra uma “perfeita” adaptação do osso junto ao implante e até mesmo sobre o pilar protético. A estética rosa também parece estar melhor definida sobre o implante cone-morse, mas o resultado estético do hexágono externo após dez anos não pode ser considerado ruim.

A redução de microespaços na interface do implante cone-morse/pilar, devido ao elevado nível de adaptação entre os componentes, propicia um menor acúmulo de detritos alimentares e microrganismos, garantindo maior selamento biológico na região e consequente manutenção dos tecidos peri-implantares. Se ainda somarmos a isso a colocação dos implantes cone-morse em um nível intraósseo de 2 mm a 3 mm, teremos um maior sucesso na utilização deste sistema.

 

Contudo, não existe a necessidade de se remover precocemente implantes com hexágonos externos mais antigos que tenham respondido clinicamente bem ao longo dos anos. Discretas reabsorções ósseas que se mantêm estáveis, sem perdas ósseas progressivas e inflamações gengivais, devem ser consideradas respostas normais do organismo ao tratamento com implantes osseointegrados.

Referências

  1. Lazzara RJ, Porter SS. Platform switching: a new concept in implant dentistry for controlling post restorative crestal bone levels. Int J Periodontics Restorative Dent 2006;26(1):9-17.
  2. Varise CG, Abi-Rached FO, Messias AM, das Neves FD, Segalla JCM, Reis JMSN. Sistema cone morse e utilização de pilares com plataforma switching. Rev. Bras. Odontol. 2015;72(1-2).

“Celebrai com júbilo ao Senhor, todas as terras. Servi ao Senhor com alegria e entrai diante dele com canto. Sabei que o Senhor é Deus, foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos; somos povo seu e ovelhas do seu pasto. Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o e bendizei o seu nome. Porque o Senhor é bom, e eterna é a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração.” (Salmos 100,1-5).

Marco Aurélio BianchiniMarco Bianchini
Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros “O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia” e “Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares”.
Contato: bian07@yahoo.com.br | Facebook: bianchiniodontologia | Instagram: @bianchini_odontologia